“Volte a escrever”.

Escreva a primeira coisa que vier a sua cabeça e, se não ficar boa, publique mesmo assim.


“a raiva é roxa, tem nove pontas que apontam aleatoriamente para lados diferentes, é feita de cristal, não tem olhos, seu miolo tem infinitos pés que se mexem rápidos mas miúdos e, por incrível que pareça, uma de suas partes é esponjosa e macia. quando apertamos essa parte da raiva, ela inteira se contrai e cessa o movimento contínuo. é preciso muita atenção para encontrar exatamente este ponto, caso contrário ela se lança sozinha no ar e vai parar não sei onde.”

a poesia quase sem querer da noemi.

 

Vou fazer 25 anos no mês que vem e me sinto exatamente assim umas 4 ou 5 vezes por semana. (basta trocar o balé pela vida em geral)

(…)

“E ter catarse é bom. É duro às vezes. Às vezes dói bastante. Mas é dessas dores curativas. Que nem passar merthiolate. Arde. Mas você sabe que precisa arder pra sarar.”

ela escreveu e eu concordei.

essas músicas do goldfrapp são endorfina.

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles

porque eu também ainda não consegui decidir.

e porque adoro o quão singelo e sincero esse poeminha pode ser.

“Eu era um sujeito então perseguido pelas nostalgias. Sempre tinha sido, e não sabia como me livrar da saudade para viver tranqüilamente.

Ainda não aprendi. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou.

Isso tudo vai estar sempre com a gente. Sempre vamos desejar recuperar o lado bom da vida e esquecer e desnutrir a memória do lado mau. Apagar as perversidades que cometemos, desfazer as lembranças das pessoas que nos magoaram, eliminar as tristezas e as épocas de infelicidade.

É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para a nossa sorte, a saudade possa se transformar, de uma coisa depressiva e triste, numa pequena faísca que nos impulsione para o novo, para nos entregar a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar a vida na solidão, encontrar alguém, entregar-nos um pouco, evitar a rotina, desfrutar a nossa parte da festa.”


Pedro Juan Gutiérrez
Trilogia Suja de Havana

 

Topei com esse trecho uma vez aqui e ele reapareceu aqui. Algo me diz que terei que comprar o livro.

 

Tenho escrito pouco.

No trabalho, passo a maior parte do tempo ocupada com clipping, orçamentos, diagramações, fotografias e as palavras que escrevo quase sempre voltam completamente adulteradas para mim. É um termo que não estava de acordo com “a cultura da empresa”, é uma palavra “difícil demais para nosso público”, é um parágrafo inteiro grifado em vermelho, tal qual as redações das crianças nas escolas.

Desde sempre minha escrita não se encaixa: no meio acadêmico, na redação jornalística, na roteirização, no meio inter-empresarial. Já ouvi de tudo: escrevo demais, escrevo de menos, muito culto, muito simples, com retranca, sem retranca, cadê o lead, esquece isso de lead, segue o manual, segue o popularesco.

Tenho escrito pouco. Ando reescrevendo muito.

Me cansei e me refugiei na técnica: diagramo, edito, converto, filmo, fotografo, equalizo, entendo as siglas CMYK, RGB, AVI, FLV, HTML, WMV, WMA, MP3, JPEG, GIF, PNG… não faço nada muito direito, é óbvio.

…e, claro, escrevo, reescrevo, escrevo e reescrevo.

 

“Meu conceito de burro é uma pessoa que tem dificuldade de aprender, preguiça, é facilmente distraível, fica irritada quando não entende (as pessoas inteligentes ficam instigadas, curiosas, desafiadas. A típica criança burra é a que joga o quebra-cabeça pra cima
porque não conseguiu montar) e, uma vez tendo aprendido, esquece no minuto seguinte.

A questão é: me identifico totalmente com essa descrição.”

Eu também, Juliana.

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