Tenho escrito pouco.

No trabalho, passo a maior parte do tempo ocupada com clipping, orçamentos, diagramações, fotografias e as palavras que escrevo quase sempre voltam completamente adulteradas para mim. É um termo que não estava de acordo com “a cultura da empresa”, é uma palavra “difícil demais para nosso público”, é um parágrafo inteiro grifado em vermelho, tal qual as redações das crianças nas escolas.

Desde sempre minha escrita não se encaixa: no meio acadêmico, na redação jornalística, na roteirização, no meio inter-empresarial. Já ouvi de tudo: escrevo demais, escrevo de menos, muito culto, muito simples, com retranca, sem retranca, cadê o lead, esquece isso de lead, segue o manual, segue o popularesco.

Tenho escrito pouco. Ando reescrevendo muito.

Me cansei e me refugiei na técnica: diagramo, edito, converto, filmo, fotografo, equalizo, entendo as siglas CMYK, RGB, AVI, FLV, HTML, WMV, WMA, MP3, JPEG, GIF, PNG… não faço nada muito direito, é óbvio.

…e, claro, escrevo, reescrevo, escrevo e reescrevo.

 

“Meu conceito de burro é uma pessoa que tem dificuldade de aprender, preguiça, é facilmente distraível, fica irritada quando não entende (as pessoas inteligentes ficam instigadas, curiosas, desafiadas. A típica criança burra é a que joga o quebra-cabeça pra cima
porque não conseguiu montar) e, uma vez tendo aprendido, esquece no minuto seguinte.

A questão é: me identifico totalmente com essa descrição.”

Eu também, Juliana.

eu gosto dela.

 

Sinto inveja de quem escreve sobre a vida pessoal, sobre os sentimentos e medos como se fosse a coisa mais simples do universo. Sinto inveja de quem não mede cada verbo para saber se cabe ali, se não ficou exposto demais ou de menos. Pessoas que escrevem coisas maravilhosas tão fácil como respirar.

No fundo é porque sei que devem ser essas pessoas sem medo as que se apaixonam mais.

 

 

 

2010 foi um ano feliz e eu queria dizer obrigada por várias miudezas com importância astronômica, como por exemplo:

Ver meus amigos queridos e retomar risadas que não envelhecem com o tempo

Ter mudado de emprego (e constatar o óbvio que tudo tem vantagens e desvantagens)

Aquele dia em que deu tudo errado, nós compramos o bolo de chatilly de “três as cores” e rimos bastante, mas eu perdi o horário por causa do grupo de pagode no andar debaixo, então peguei carona numa ambulância enquanto as meninas corriam de pijamas pela rua com as chaves da vizinha do andar de cima*

Ser a pior jogadora de queimada do mundo

Ter feito aquela ligação que não mudou tudo, mas fez a diferença em pontos essenciais

Meus pais ainda serem sufocantemente carinhosos

Conseguir dizer eu te desculpo com coração

As recepções sempre calorosas da Preta, que inevitavelmente acabam com marcas de patas nas minhas roupas

Perder tudo que eu tinha de virtual e me fazer perceber que desapego é algo mais fácil na prática

Aprender tolerância e paciência um pouquinho mais a cada dia

A “nega maluca” do Hora-Extra e o Moccatino do Café

Controlar minhas saudades das pessoas que estão muito longe

Conseguir me permitir poupar dinheiro

Fazer me sentir muito amada, feliz e satisfeita com os amigos e família

Por manter longe de mim esse fantasma da autosatisfação injustificada

 

 

Para começar 2011, eu não gostaria de pedir nada.  Muito menos prometer coisa alguma. Comece devagarinho e me mostre sem pressa o que você tem reservado para mim, querido 2011.

 

 

As imagens são do blog inspirador  thx thx thx: a thank you note a day

*história verídica e muito mais nonsense na íntegra.

Eu só queria dizer a você que não faço ideia a que estou destinada. Ainda mais porque essa palavra “destino” soa tão determinante e imutável quanto assustadora. Isso não faz de mim uma pessoa profunda e cheia de possibilidades, na maior parte do tempo o sentimento que ronda meu coração é que estou à deriva. E por mais que essa característica caia tão bem a personagens de cinema (Charlotte, Clementine, Holly, Alice, Maggie, Claire, Susanna, Cristina, etc…), devo dizer que na vida é um verdadeiro desastre.

* a imagem é do genial  beautiful revolution.

“[Pensei em dizer à mocinha triste que:]

Se ele nunca aprova seu corte de cabelo; tem vergonha dos seus gostos; trata o seu conhecimento como inferior, inclusive publicamente; mostra, a todo momento, o quanto você é fútil, desnecessária e está muito aquém da suposta erudição dele (sutilmente – o mais monstruoso e covarde!); despreza os seus amigos como se só ele fosse capaz de fazer boas escolhas; rejeita britanicamente a sua família, que ele tão pouco conhece; faz com que você tenha vergonha de gostar de coisas que você adora; aduba preconceitos que você não tinha; desperta o pior em você a cada dia, como quem bondosamente a ensina a ser superior.

Se ele a manipula, fazendo passar por amor o (imenso) medo que tem de ficar só; te valoriza apenas quando isso se converte em status ou benefícios – que ele, ao contrário do que pensa, jamais conseguiria da forma como você consegue.

Se ele a incentiva a abandonar sonhos; trata suas prioridades como grandes bobagens; aduba seus sentimentos com citações, músicas e mimos que pertenceram a tantas outras; acha que apenas as neuroses cretinas dele são válidas; só aprecia as pseudogeniais descobertas e constatações que ele faz; faz a linha modesto e humilde, mas enche a casa de referências pedantes e experiências medíocres.

Se ele tem ciúmes não de você, mas da possibilidade de que você descubra – por seus amigos, seus discos, seus livros, suas roupas, suas visitas à feirinha de sábado, suas ilustrações, suas fotografias, seus filmes favoritos, suas sacadas geniais e mais todas as possibilidades incríveis das quais você abre mão para agradá-lo – que ele é um enorme, imenso, gigantesco e interplanetário babaca, e que tem tanto cara legal por aí que te faria feliz sem essa dependência doentia na qual ele te prendeu; se ele trata com desdém tudo o que tanta gente acha tão fabuloso e mágico em você.

(Mas é você que está sempre ali, esperando quando a porta abre, emoldurando em ouro os dias, fazendo canja quente durante a temporada de gripe, relativizando problemas, rindo de cada mínima paranoia tão dura, tão ofensiva – e apenas você, tão-somente você, porque todo o resto já caiu fora desse filisteu de merda.)

Seu lugar é acima, muito acima, mas, como as pombas, aí está você: ao alcance demais, rifando sua autoestima enquanto ele covardemente busca a perfeição de tudo o que ninguém pode ser.”

ótimo texto da Luciana Lima, dona do Negócio de Menino.

 coisas são apenas coisas
=
ou o porquê de, surpreendentemente, eu não entrar em pânico quando soube que perdi todos meus aquivos depois que meu notebook morreu.

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